Um Amazonas Mais Seguro!
11/02/2026
Categoria: Discursos
Senhoras e senhores,
Um Retrato da Falência do Estado
O que aconteceu ontem em Manaus não foi uma celebração. Foi uma declaração de território. Uma demonstração pública, coordenada e ostensiva de que o Estado brasileiro é um convidado — e não muito bem-vindo — em seu próprio território.
Às 19h em ponto, como prometido em mensagens que circularam livremente nas redes sociais durante o dia, uma facção criminosa sincronizou um foguetório em todas as zonas de Manaus e em múltiplos municípios do interior do Amazonas. Não foi espontâneo. Foi planejado, anunciado e executado com a precisão de uma operação militar.
Pense no absurdo: criminosos avisaram publicamente, com horas de antecedência, que iriam realizar uma demonstração de força em toda uma capital brasileira. E fizeram. Sem serem impedidos. Enquanto famílias se trancavam em casa, aterrorizadas com o barulho que confundiam com tiros, o crime organizado comemorava seis anos de "controle" sobre o Amazonas.
O que mais choca não é nem a audácia do ato. É a sua repetição. Isso acontece todo ano no dia 10 de fevereiro. Tornou-se uma espécie de "tradição" criminosa, um marco no calendário do tráfico. As autoridades sabem. A população sabe. E acontece assim mesmo.
Essa naturalização é a marca registrada da derrota institucional. Quando uma sociedade passa a conviver com demonstrações públicas de poder paralelo como se fossem fenômenos climáticos — previsíveis, mas inevitáveis — algo muito grave já se rompeu no tecido social.
O Amazonas não é um território qualquer para o crime organizado. É a porta de entrada da cocaína sul-americana para o Brasil e para a Europa. A tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia, as hidrovias amazônicas, os milhares de quilômetros de rios navegáveis — tudo isso faz do estado uma peça estratégica no tabuleiro do narcotráfico internacional.
Controlar o Amazonas é controlar uma das rotas mais lucrativas do tráfico mundial. E é exatamente isso que está acontecendo, enquanto o poder público oferece como resposta "rondas nas áreas onde houve registros do foguetório". Rondas. Depois do fato consumado.
Para quem não está envolvido com o crime, o foguetório é terror puro. Porque ninguém sabe se é só fogos ou se há confronto acontecendo. Porque crianças acordam assustadas. Porque o som remete à guerra. Porque aquele barulho é um lembrete brutal de que você vive num lugar onde outra força, que não o Estado, dita as regras.
E quando o Estado se manifesta, é sempre tarde demais, sempre insuficiente, sempre reativo. Prendem "alguns suspeitos", apreendem "materiais utilizados". Mas no próximo 10 de fevereiro, o show se repetirá.
Esta não é apenas uma questão amazonense. É um problema brasileiro. Quando uma organização criminosa pode anunciar publicamente uma operação de demonstração de força em dezenas de localidades simultaneamente e executá-la sem ser impedida, temos que reconhecer: perdemos o controle.
Não se trata de ausência de polícia. Trata-se de presença insuficiente, inteligência precária, falta de estratégia de longo prazo, omissão política e um sistema de justiça que prende e solta em ciclos intermináveis. É o resultado de décadas de negligência com a Amazônia, de fronteiras porosas, de autoridades locais infiltradas ou cooptadas.
Recuperar o controle territorial de uma facção que já se estabeleceu há seis anos não se faz com operações pontuais. Exige presença permanente do Estado, inteligência de qualidade, investimento maciço em segurança pública, reforma do sistema prisional, desenvolvimento econômico das áreas vulneráveis e vontade política — muita vontade política.
Mas antes de tudo, exige que paremos de tratar demonstrações públicas de poder do crime organizado como se fossem normais. Porque não são. Cada foguetório desses é um tapa na cara da República. E enquanto aceitarmos esse tapa calados, esperando apenas que "passe logo", continuaremos perdendo pedaços do nosso país para quem não tem o menor compromisso com lei, democracia ou dignidade humana.
O Estado existe para garantir segurança. Quando falha nisso de forma tão espetacular, tão pública, tão repetida, não estamos apenas diante de um problema de gestão. Estamos diante de uma crise de soberania.
Solicito a divulgação deste discurso nos meios de comunicação da Câmara dos Deputados e no programa Voz do Brasil.
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POR: CAPITÃO ALBERTO
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